4 de setembro de 2005

5ª Caminhada DisPorto Bay:
Galhano - Levada da Ribeira da Janela - Lamaceiros
(03-09-2005)

Este Sábado revelou-se um dia glorioso em vários aspectos, até a meteorologia que nos brindou com céu limpo por toda a ilha, incluindo terras altas.

Após as comprinhas de última hora para o caminho e para o jantar ao final do dia, com a promessa de uma das participantes em pagar uma ponchinha a todos, a caminho do Paúl da Serra parámos na Serra d’Água, para ganhar um pedaço de espírito para a longa jornada.


Infelizmente, a patrocinadora da poncha acabou por ser uma desistente de última hora, para poder cumprir os deveres de mãe.

A subida para o Paúl revelou-se um espectáculo majestático, proporcionando vistas limpas para todos os picos, de tal forma que ninguém se lembrou de tirar fotos.

Perto do meio dia lá chegámos ao nosso destino, no cimo do Galhano, perto da Fonte do Bispo. Deparámo-nos com o ambiente bucólico de vaquinhas a pastar.


Logo à chegada, um pequeno incidente.

O pequeno Henrique decidiu explorar este autêntico campo minado. Próprio da idade não tardou a dar um tombo, com os resultados que se podem ver abaixo.


Estas tropelias acabaram por perturbar os pacatos bovinos, acabando um deles por adoptar uma postura mais agressiva que foi prontamente aplacada pelo presidente do DisPorto Bay, de capote azul em punho, mostrando dotes para forcado de que nem suspeitávamos.

A mãe do petiz também assumiu instintos de toureadora, pegando logo num par de cara..., desculpem paus da poncha. Mas a posição em que os pegou parece-me invertida e o que ela precisava mesmo era de um par de bandarilhas. Falta de prática.


Enquanto isso o resto do grupo assistia demonstrando a afición típica de um povo ibérico. Parece-nos que temos aqui mais uma actividade com potencial para o DisPorto Bay. E que tal se criássemos um grupo de forcados? Com o António à frente não há touro que nos apoquente.


Mas tudo acabou bem, com a vaca acabando por abandonar o confronto e o António a sair vitorioso desta faena.


Restabelecida a normalidade, era tempo de tirar a foto da praxe com algumas caras estreantes: a Andrea da Thomas Cook (que no entanto já tinha aparecido neste blog aquando da caminhada do Caniçal ao Porto da Cruz), a Marisa das vendas & marketing do grupo Pestana, e o Luís que está a estagiar no Cliff Bay, no departamento de F&B.


E agora que deixámos as vacas e a estrada para trás podemos concentrar-nos nas panorâmicas que esta zona nos oferece em dias claros. Daqui pode-se ver o mar da costa Norte ao longe e uma parte do vale da Ribeira da Janela.


Apesar de o dia estar bastante quente, a cobertura de árvores ao longo do percurso assegurou a frescura adequada a caminhadas longas como esta.


Pela pose do nosso Carlos, dá ideia que ele estava a dizer ao Luís “Aquilo das vacas é básico. Até eu fazia...”. E o Luís virou-se para mim para ver se eu confirmava. Achas?


A descida já passou de meio e só nos faltam 3 km para chegar à levada. Mesmo ao lado encontrámos estas colmeias, mas aparentemente as abelhas foram passar férias a outro lado.


Mais umas passadas e só já faltam 1500 m para a levada. Aqui o caminho estreita. Se alguém vier de jipe é aqui que o deixa.



O Carlos, como fotógrafo, adora jogar comigo ao “Onde está o Wally?”. Vocês não podem descobrir nenhuns Wallies nesta foto devido à redução, mas mesmo no original deu algum trabalho descobrir a Andrea e eu próprio. O que vale é que deu um boneco bem bonito. Também deu para perceber que o grupo da retaguarda já levava um atraso razoável.


Parámos por um pedaço à espera deles o que nos permitiu obter mais umas fotos desta ribeira, que deve ser (ainda mais) impressionante no Inverno quando está carregada de água. E os retardatários lá chegaram à pequena ponte que assinala que estamos quase a terminar esta descida de cerca de 7 km.



Mas ainda faltava descer a tal ladeira que o nosso amigo Rodolfo (este maroto mais uma vez demonstrou que gosta de estragar surpresas) tinha mencionado nos comentários ao anúncio desta caminhada. E apesar de algumas mãos no chão, como ele preveu, era mais importante chegar lá abaixo em segurança. Portaram-se muito bem.



Chegados finalmente à levada da Ribeira da Janela. Cenário bem bonito. E a fome já apertava. Mas mesmo assim surgiu a ideia de caminhar mais um pouco até à origem da levada. 6 km a adicionar aos 19 que os participantes já achavam muito. Dupla surpresa: não se importaram com o caminho a mais nem de esperar mais um pouco para comer!

Estamos mesmo a ficar bons nisto...



E o desvio valeu a pena. Bons panoramas não faltam e à medida que nos vamos aproximando da origem as pequenas cascatas a jorrar directo para a levada vão aumentando de número e caudal, mesmo estando no final do Verão.



O primeiro furado foi acolhido com sorrisos. Ainda era o primeiro. É só fazer este na volta, mais outros dez.




Finalmente, horas do comerinho, na origem da Levada, que nesta altura do ano deixa a ribeira propriamente dita completamente seca a partir deste ponto.

O Carlos aproveitou a audiência para mostrar o efeito que a prática do body building tem tido no físico dele. Quem quiser comparar veja a foto na viagem às Desertas e descubra as diferenças. Tem muito mais músculo agora, ou não?




Onde há água há brincadeira e o António teve de se proteger com as cores da Porto Bay para evitar os bombardeamentos de água vindos do lado oposto.


“Cab...!” (nota: a “catalana” disse isto em espanhol, por isso não é o que estão a pensar — mas é parecido).


Com as forças recuperadas, retomámos a direcção da foz da Levada. Mais 15 km até ao final, nos Lamaceiros.


Um pouco mais à frente começaram a surgir as primeiras amoras e logo começámos a recolha dos melhores frutos, que se destinavam a uma experiência inovadora, para tentar mais tarde (continuem a ler, se quiserem saber).



Chegámos à entrada do tal furado que o Rodolfo tanto “recomendou”. O que tem água a jorrar do tecto e das paredes. A Santinha à entrada já impõe respeito, mas ninguém se lembrou de trazer umas velinhas, por isso entrámos assim mesmo.


O buraco era mesmo comprido, e pareceu ainda mais devido às inúmeras paragens. O Diamantino ia à frente e pára sempre que dá uma gargalhada. E lá passámos as cascatas e o “limpa-ouvidos” às escuras, sem qualquer baixa. Feita a contagem à saída, estavam todos.


Não é hábito deste blog publicar poses feitas. Mas como o Diamantino se portou bem, foi empregado do ano com mérito e, mais importante ainda, desta vez conseguiu chegar de manhã a horas, aqui fica um belo boneco para a posteridade (e para o clube das fãs do Tino, claro).


Mais à frente a Andrea continuava em bom ritmo a puxar pelo resto do grupo. E como se pode ver estava-se numa fase da levada onde abundavam recantos e panoramas bem bonitos (embora na verdade isso se possa aplicar a todo o percurso).




Agora um dos momentos altos do dia. Daqueles que aquecem a alma: à saída do último furado, quando nos preparávamos para uma última paragem, eis que reparamos num cartaz à beira da levada. A curiosidade pode ter morto o gato mas valeu a pena lê-lo. Uma missiva de encorajamento e boas vindas do nosso colega Armando (um dos rostos mais emblemáticos do Cliff Bay, e o primeiro que muito dos nossos hóspedes conhecem ao chegar), que lá foi de propósito deixá-la.

Também aproveitou para informar que nos faltavam ainda 3600 s de caminho (presumimos que o “s” se referia a segundos - 1 hora, portanto). O que andou muito perto da verdade. De qualquer forma, uma distância que ele próprio teve de percorrer duas vezes, só para desempenhar este gesto. O espírito DisPorto Bay no seu melhor.

Em nome de todo o grupo, um bem haja e um mais que muito obrigado ao Armando.


“Ó Catalana! Eu ainda me lembro do que me chamaste há pouco...”


A partir daqui foi caminhar mais um pedaço, já com o mar à vista e a beleza de sempre.




Agora o momento que já vem sendo habitual nestes relatos. Um pedacinho de botânica em primeiro plano, com exemplares que se encontram também noutros pontos da ilha, mas que ao longo desta levada aparecem em quantidade apreciável e contribuem para o seu colorido característico.

Abundam os novelos (ou hortenses/hortências como lhes chamam nos Açores e continente), as maçãs e os maracujás-banana, bem como as amoras que já foram referidas mais acima.




Com o final cada vez mais próximo começámos a ver a povoação de Ribeira da Janela e as encostas vizinhas. Bem bonito.



Estepilha. 5 horas e meia e 25 km depois eis que chegámos. E a Filipa pontualmente esperando por nós com o Henrique, para nos ajudar a recuperar as viaturas que deixámos lá em cima no Galhano. Impagável.


No painel informativo estima-se em 7 a 8 horas este percurso. Mas 7 km a subir é dose. Há-de haver quem faça...


Enquanto todos se reagrupavam, esperando pela chegada das viaturas e aproveitando para descansar e descontrair um pouco, a Silvia e a Andrea deram um pulo ao tanque de carga da levada. Valeu a pena.



Entretanto, o espírito curioso do Eng. Carlos foi atraído por um pormenor que quase nos passava despercebido.

Após alguns cálculos rigorosos, concluímos - pela altura do parapeito desta janela - que esta só pode ser a casa de campo da Dora.


Pela posição da Marisa, parece que conseguimos deixar a concorrência de rastos.


Carlos para Diamantino: “Diz-nos o que sabes sobre os cubanos.”

“Hmmmmmm (...) bem, tem este aspecto tosquinho que resulta do método artesanal de produção, cortado em fatias finíssimas é delicioso ... é o queijo limiano.”


Chegado o transporte tomámos o rumo do Seixal, onde nos esperavam mais belíssimos panoramas, a hospitalidade da família Caldeira e eventualmente um bom jantar.





Enquanto uns foram saboreando um belo vinho branco, originário ali mesmo do Seixal — o Seiçal — outros foram-se ocupando da preparação do jantar. Uma espetadinha como mandam as regras, acompanhada dos bons vinhos tintos que o nosso anfitrião teve a amabilidade de nos oferecer. Mas além de os provarmos tivemos também a possibilidade de os ficar a conhecer melhor. O Eng. Duarte Caldeira não se faz rogado nos esclarecimentos quando o vinho é o tema de conversa.





Hora das ponchinhas. Começámos pela mais tradicional e conhecida poncha de maracujá. Aplauso geral e ganhou o epíteto de “gulosa”. Queriam mais, parece.


Embora tenha tido uma recepção algo hesitante por parte do dono da casa. Feita por gente do continente, que ainda por cima trás batata do Pingo Doce, com tanta e tão boa semilhinha aqui no Seixal. Não deve ser boa.

Felizmente acabou por dar o braço a torcer.


E aqui está o motivo da apanha de amoras. O António tentou fazer pela primeira vez poncha de amora. O resultado não foi mau de todo. Mas deu para perceber porque é que não se encontra em mais lado nenhum. Resulta melhor, doutra fruta.


E por aqui fica o nosso relato de um dia cheio.

Vai começando a enraizar-se como lema deste grupo: Arrependa-se quem não vier!

Por isso é melhor ficarem com atenção a este espaço, por que estão em preparação mais algumas actividades novas para as próximas semanas, que revelaremos dentro de alguns dias. Até breve!

2 Comentário(s):

Anonymous Mana do Virgilio disse...

Mano Virgilio, quero ver se quando for aí me levas a uma destas caminhadas! Que inveja!Saudades do Continente!

21 setembro, 2005 09:27  
Blogger Tina disse...

5,5 horas para 25 km??
Bem...ótimo tempo
Vou tentar arranjar coragem ( e pernas), para fazer esta levada que parece magnífica.
Parabéns pelo ótimo blog

07 março, 2014 13:12  

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