1 de novembro de 2005

6ª Caminhada Porto Bay:
Rabaçal - Risco - 25 Fontes - Túnel do Rabaçal
(1-11-2005)

Como tem sido hábito ultimamente, o Rei Sol decidiu fazer-nos companhia em mais uma actividade, aproveitando um feriado a meio da semana.

Mesmo assim, parece que a malandrice invadiu os membros do nosso grupo e, entre incertezas e cancelamentos de última hora, acabaram por comparecer apenas 10 pessoas.

Mas como viriam a demonstrar pelo dia fora, o ditado cumpriu: poucos mas (muito) bons — mesmo as meninas da concorrência.

Novidades desta vez foram a estreia de mais uma Pestaninha — a Rosália, sempre colada ao maridinho de fresco, o nosso Beto —, e as também nossas Tânia e Cátia.

Compareceram todos à hora marcada no local do costume, e logo se puseram a caminho da primeira paragem e ponto de encontro com os restantes 2 participantes.


A primeira paragem, já quase se pode dizer obrigatória, foi ali para a Serra d'Água e uma boa desculpa para tomar uma ponchinha retemperadora.

Juntaram-se ao grupo, este redactor e o Kevin, que até perto do Natal estará a tomar conta do Montado dos Aviceiros, casa onde o clube DisPorto Bay tem sido sempre alvo de boas vindas (se não sabem do que estou a escrever podem dar uma vista de olhos no histórico deste blog).



A subida para o Paúl da Serra premiou-nos com panoramas fantásticos sobre o vale da Ribeira Brava e os picos da cordilheira central.

Chegados à câmara de carga onde começa a estreita estrada que nos leva até lá abaixo às casas do Rabaçal, deu para perceber que iríamos encontrar muita gente pelo caminho, pelo elevado número de carros estacionados.

Mas com a confiança dada pelo fecho deste troço de alcatrão ao trânsito, lá fomos estrada abaixo espalhados por toda a via.


Algumas centenas de metros após o início encontrámos o primeiro caudal de água, a bonita Ribeira do Alecrim, que alimenta a Levada das 25 Fontes.


Quase a chegar às casas da Rabaçal, encontrámos finalmente a primeira e única viatura durante o percurso, que faz o vai-vêm todo o dia entre as casas e a estrada principal, para quem quiser poupar as pernas. Custo para um percurso são € 2 — quem optar por fazer ida e volta paga € 3.


Uma pausa curta junto às casas de abrigo, permitiu apreciar alguns recantos bem bonitos deste recanto paradisíaco.


Se gostava de ter um mobiliário de jardim como este, dou-lhe uma pista: não deve encontrar na IKEA.




Terminada a pausa, iniciámos então uma pequena descida até ao nível da Levada do Risco.


Não demorámos muito a chegar à primeira bifurcação. O Carlos queria já cortar caminho e descer directo para as 25 Fontes...


... mas os 900 metros que nos faltavam para a cascata do Risco acabaram por se revelar curtos para tanta coisa bonita e, por isso mesmo, longos no tempo por causa das inúmeras paragens que todos os membros aproveitaram para tirar uma foto para a posteridade.



Valeu a pena. Coroada pela cascata da Lagoa do Vento, umas dezenas de metros acima de nós, a cascata do Risco é com certeza um dos locais mais bonitos da ilha.




Quem não achou graça ao fecho da levada neste ponto foram o Carlos e o António, que gostariam de ter passado pelo interior da cascata. Também eu. Segurança a quanto obrigas...


Hora de voltar atrás em busca da vereda para descer para a Levada das 25 Fontes. Lá em baixo já se pode entrever através do arvoredo o troço de levada que começa junto à ponte sobre a Ribeira Grande.


A partir daqui deu para começar a perceber onde andava toda a gente que tinha deixado os carros lá em cima, a que se juntam as que vêm em caminhadas organizadas pelas agências de viagem. Foi sempre a crescer até chegarmos à ponte sobre a Ribeira Grande.

Se quiserem evitar estes grandes ajuntamentos, talvez seja melhor fazer algum trabalho de casa e ver quais são os dias da semana em que há mais caminhadas programadas nas brochuras das agências, e tentar evitá-los.





Uma subidinha até à Levada das 25 Fontes. A minha reputação deve ter ficado de rastos quando disse que depois disto não havia muito mais para subir e descer. Mais à frente vão perceber porquê.


Chegados à levada e ultrapassados os grupos mais lentos, o trânsito aligeirou e deu para até alguns dos participantes brincarem ao longo do caminho, como a Adriana. No entanto, apesar de ser um trajecto bem acessível, recomenda-se mais cuidado pois abundam as pedras cobertas de lama e musgo que se tornam bastante escorregadias.


Esta parte do percurso proporciona vistas muito bonitas, alternando entre zonas descobertas que permitem olhar pelo vale abaixo, e as zonas com cobertura de arvoredo mais densa.



O colorido das vestes dos caminhantes sobre a ponte das 25 Fontes, no meio do verde dominante, permite entrever o nosso destino. Estamos quase a chegar.


Nesta caminhada, o presidente do clube lançou para o ar uma nova ideia — a organização de danças de salão. E alguém parece que já começou a praticar...


As 25 Fontes! Para mais tarde recordar...



E, perdoem algum defeito na colagem, aqui está a cascata em toda a sua extensão.


As partes laterais deste recanto estão cobertas pelos verdes luxuriantes que toda esta humidade alimenta.


Olhando da lagoa para baixo, pode-se ver a ponte que passa sobre a Ribeira da Água Negra e o vale que lhe serve de moldura. Às vezes também se vê a Adriana.


Por esta altura já os estômagos estavam a dar horas e nada melhor que aproveitar a beira da levada junto à ponte e o Sol acolhedor para um lanchinho.



Um último olhar para o ramal que encaminha a água das 25 fontes para a levada. Hora de regressar.



Já a tínhamos visto no caminho de entrada, mas aqui fica para os interessados, o detalhe do início da vereda que desce para a Levada da Rocha Vermelha, 100 metros abaixo.




Novamente na ponte sobre a Ribeira Grande. Olhando para baixo pudemos ver uma mistura colorida de água, vegetação e rocha.


De volta à vereda para o Rabaçal, passámos o desvio que sobe em direcção às casas, optando por seguir em frente em direcção ao túnel do Rabaçal. Quem for com atenção ao lado oposto à levada acaba por reparar noutra vereda que também permite descer até à Levada da Rocha Vermelha que já mencionámos acima.



Aqui foi dada a última hipótese a todo o grupo de seguir pela via mais fácil. Estamos cerca de 150 metros (na vertical) directamente abaixo das casas do Rabaçal, onde podemos chegar por esta vereda. A partir daí bastaria apanhar a carrinha vai-vém até à estrada onde deixámos os nossos carros.

Mas ainda era cedo, o dia estava bonito e parece que foi unânime seguir pelo túnel montanha dentro para a vertente Sul, para o lado dos lombos da Calheta.


Aqui, junto à entrada do túnel, pudemos observar uma confluência de origens de água: a levada das 25 Fontes que seguimos até aqui, o ramal que traz a água da levada do Risco (100 metros acima) e ainda a Ribeira do Alecrim — um reencontro do início da caminhada que o António decidiu ir explorar.



Como já verificámos em algumas caminhadas anteriores, parece que para entrar em alguns destes túneis a fé ajuda.

Neste caso não se deixem intimidar. Na verdade, este é talvez o furado mais alto e com o piso mais regular que já encontrámos nestas andanças. Parece que foi feito para poder ser atravessado a cavalo. Ou pelo menos de pónei... e faz-se em apenas 10 minutos, ou pouco mais.


Lá dentro as Pestaninhas andaram sempre em bom ritmo. De tal forma que não demorou a vermos luz ao fundo do túnel.


Depois daquela escuridão, a profusão de luz à saída quase cegava. Aqui encontrámos a casa dos levadeiros. Para a esquerda a levada segue vale abaixo em direcção à central hidroeléctrica da Calheta. Para a direita a vereda que nos leva de regresso à estrada.




Entretanto esta cena leva-me a pensar que teria graça elas passarem isto de saltos altos...


Chegámos à estrada que desce do Rabaçal para a Calheta. Bom, e aqui é onde teria sido bom termos deixado os carros... Poupáva-nos quase 3 quilómetros estrada acima.




Chegados ao cimo podemos ver para Norte as casas do Rabaçal e para o lado oposto a levada das 25 Fontes a serpentear vale abaixo.


Finalmente, com a zona de estacionamento à vista, um último olhar para o vale da Ribeira da Janela. E uma oportunidade para rever o mapa do nosso trajecto.

Próxima paragem: Bica da Cana.



Aqui está o tacho de barro que acabou por ficar conhecido como o “Assador do Desespero”.


Já na Bica da Cana começámos os preparativos para assar as castanhas. Fazer um bom lume por vezes pode ser mais complicado do que parece. Mas entretanto o vinho seco foi alegrando o espírito e a Marisa foi golpeando as castanhas.




Os motivos ainda estão por descobrir. Houve quem dissesse que era porque as castanhas levam mesmo muito tempo a assar, outros puseram o defeito no assador e também quem não achasse boa ideia molhar as castanhas antes de as pôr a assar.

A verdade é que demorava em dar uma trinca numa castanha assada como deve ser. Vai daí, seguindo as memórias de infância de alguns participantes optou-se por jogar directamente as castanhas nas brasas.


Cansadas de esperar, as três pequenas da foto decidiram aproveitar o lume deixado pelos vizinhos da lareira do lado e avançaram por conta própria.


E pela cara de gozo da Adriana, parece que resultou.


Mas tudo acabou em bem e as castanhas começaram a sair como queríamos (bem, para falar verdade algumas saíram queimadotas, mas é sempre assim, não é?). Fechámos esta parte do dia com nota positiva.


Com o frio que estava a ficar, ficou a parte “pior” para o fim — convencer o grupo a dar mais um pulo ao miradouro da Bica da Cana e assistir a um espectáculo difícil de descrever em fotos, quanto mais por palavras.



O Pináculo vai merecer uma visita nossa um dia destes, pela levada da Serra (dá para perceber na foto) até ao Lombo do Mouro. E por trás, afogada em nuvens de algodão, está escondida a Encumeada.


Como acabei de escrever, as fotos não fazem justiça ao que os nossos olhos viram, mas foi o que se pode arranjar.




E agora as fotos que ficam para recordação. A Adriana e a Cátia parece que têm uns agasalhos uns números acima. Mas que importa? Desde que o frio fique de fora...


Enfiámos o Kevin entre o Beto e o António para ele poder mandar lá para os amigos no Connecticut e mostrar que as fotos da Madeira não são truques de Photoshop.


Mas se toda a gente estava com frio alguém pode explicar o que faz o tipo da direita com uma simples t-shirt?


No regresso aos carros, agora de frente para o Sol que se escondia no horizonte, aqui fica mais um par de momentos. Recomenda-se.



Mas ainda não estávamos com vontade para ir para casa, e só um lanchinho e umas castanhas deixaram um vazio no estômago da maioria.

Na falta de uma boa ideia para encontrar uma sopa de tomate e cebola no caminho para o Funchal, acabámos na "Galinha Dourada" em Câmara de Lobos. Sopa não havia, mas as espetadas e o franganito estavam óptimas.

De qualquer forma foi lançada mais uma ideia: criar um roteiro madeirense da Sopa de Tomate e Cebola. Já colocámos na lista os mais óbvios. Ficamos à espera de mais sugestões vossas. Por favor enviem por e-mail ou deixem aqui nos comentários.

Já quase de saída, de repente alguém reparou numa cadeira vazia na cabeceira da mesa e perguntou: "Olhem, onde é que está a Dora?"

3 Comentário(s):

Anonymous Barbosa disse...

Sopa de Toamate e Cebola (boa)
O Jango
Rua de Santa Maria 166
291221280

07 novembro, 2005 15:40  
Anonymous Luis Amaral disse...

Que saudades da Madeira e das caminhadas!! :)
Espero que esta, como todas outras, tenha corrido bem e sempre acompanhada por uma dose de boa disposição!
De longe, mas atento ao blog e ás activivdades do DisportoBay, aproveito para desejar a todos as maiores felicidades.

De Lisboa,abraços e beijos, do ex-estagiário Luis Amaral

19 novembro, 2005 06:00  
Anonymous Anónimo disse...

Sopa de Tomate e Cebola é muito boa no Ribeiro Frio Restaurante - podem sempre fazer caminha Portela Ribeiro Frio e depois comer lá uma sopita...
Muita boa mesmo...

24 agosto, 2009 16:13  

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